As normalidades de uma escola

 Karen Fernanda Vieira dos Santos

Lembro da época do meu 6° ano. Onde temia os "grandões" do ensino médio. Hoje, sendo eu o "grandão" do ensino médio, temo somente a vida. E talvez as crianças do 6° ano. Estudando no Itagiba, um colégio público, integral, com um monte de adolescentes de diversas realidades, para ser honesto, pode ser bastante conturbado. É comum, por exemplo, ver alunos com uniformes velhos, furados, tão antigos ao ponto de não ser reconhecível o nome "Itagiba Fortunato" se você não souber que ele normalmente existiria ali. Pensando bem, quantas lembranças, brincadeiras, aventuras um simples pedaço de tecido pode carregar. É, eu também não trocaria algo tão cheio de vida por algo novo e sem graça. Na hora do almoço, com nossa equipe diretora meio exigente, descemos somente pela rampa. Então, imagine que um funcionário de um zoológico libertou todos os animais de uma vez, tipo cenas de desenho animado. Exatamente, um caos, até os sons eles conseguem se assemelhar. Durante, alunos servidos de pratos abundantes. Penso "que bom, eles apreciam o trabalho das tias da cozinha". Até olhar para o lado, para o balde de descarte. Também abundante. Triste. Aos que tem grande certeza de que, ao voltar para casa, não haverá nada, bom, talvez eles sintam o mesmo que eu. Além disso, jovem sem educação ou cuidado algum. Sem consciência de higiene, ou até sem consciência de nada. Vemos isso através das piadinhas (ou bullying) com aqueles sem capacidade alguma de se defender. Triste. Eles levam o "sinta-se em casa" muito a sério, ao ponto de terem de ser educados no que deveria ser somente uma instituição de ensino. Retorno para casa, refletindo. Sabendo que amanhã, depois, depois e depois, verei tudo de novo. Engraçado como as normalidades de uma escola podem ser tão trágicas. Engraçado? Não. Porém, a solução não está em minhas mãos. Mas, será?


Nenhum comentário:

Postar um comentário